Transplante de cabelos
Para quem é indicado o microtransplante de cabelos? Mulher pode realizá-lo? Em que idade pode ser realizado?
O transplante de cabelos é indicado em casos de alopecia androgenética (calvície hereditária) e alopecias cicatriciais (qualquer local aonde havia pêlos ou cabelos, couro cabeludo, sombrancelhas, bigode, barba, pêlos pubianos, etc.. cujos cabelos ou pelos cairam definitivamente). Pode ser realizado em homens e mulheres. A idade em que pode ser realizado é variada. Casos de alopecia androgenética iniciais devem ser tratadas clinicamente deixando a cirurgia para quando a alopecia progredir. Em caso de alopecias cicatriciais mesmo pacientes muitos jovens podem ser operados.
O que é necessário para operar? Tenho que realizar exames? Há riscos?
Inicialmente há necessidade de uma consulta médica, que deve esclarecer a causa de sua calvície e a orientação em relação ao procedimento. Todos os passos devem ser minuciosamente explicados ao paciente, inclusive os cuidados pré e pós-operatórios. Por se tratar de um procedimento cirúrgico, o indivíduo deve realizar exame físico e laboratorial, descartando qualquer patologia ou tratando previamente as que possam existir. Riscos existem, como em qualquer procedimento cirúrgico. Por isso a necessidade da avaliação clínica e laboratorial prévia e realização do procedimento em ambiente hospitalar com anestesista.
Aonde é realizado o procedimento? Que tipo de anestesia é utilizado? Dói?
O procedimento deve ser realizado em ambiente hospitalar. A equipe deve ser grande, composta por profissionais capacitados, inclusive anestesista responsável em garantir a segurança do procedimento anestésico e a ausência de dor ao paciente. No quarto novamente deve ser conversado com o paciente sobre a linha pilosa frontal e a área a ser transplantada. Deve ser desenhada a área de couro cabeludo (área doadora) a ser retirado. Somente nesta região o cabelo é cortado. O anestesista terá uma breve conversa com o paciente perguntando novamente sobre sua saúde. O paciente recebe a sedação e vai dormindo para o centro cirúrgico. Durante a cirurgia o paciente dorme e também sai dormindo do centro cirúrgico. É utilizada anestesia local e sedação. A dor é variável, alguns sentem e outros não, tanto na região doadora como na receptora. Por esse motivo é receitado no pós-operatório analgésico para controle da dor.
O que são fatores de crescimento plaquetário, plasma rico em plaquetas e plasma?
Estudos recentes mostram que as plaquetas sanguíneas são responsáveis pela produção de importantes substancias da cicatrização de tecidos humanos. Chamadas de fatores de crescimentos plaquetários, inicialmente utilizados em enxertos ósseos, estas substancias vem sendo utilizados em transplante de cabelos. O procedimento do transplante de cabelos é o mesmo, o que muda no procedimento é o banho de fatores de crescimento plaquetário que é dado em todos os folículos pilosos e famílias foliculares antes de serem transplantados. Estes fatores de crescimentos plaquetários são retirados do próprio sangue do paciente que é processado, utilizando equipamentos e substancias químicas, que separarão os fatores de crescimento plaquetários para serem utilizados pelo cirurgião. Portanto é necessária a retirada de uma pequena quantidade de sangue do paciente para a produção desta substancia. Estudos realizados em transplante de cabelos com fatores de crescimento plaquetários mostram um ganho de 13 a 20%, em média, a mais de integração dos folículos e famílias foliculares transplantadas, ou seja, 13 a 20 mais fios de cabelos, em média, por transplante de cabelos. Outra substancia resultante do processo do sangue é o plasma que utilizamos para a manutenção dos folículos e famílias foliculares durante a cirurgia aumentando a viabilidade destes durante a cirurgia.
O que é o transplante de cabelos? Ele inibe a alopecia androgenética?
É a retirada de cabelos do couro cabeludo, de uma região que não tem calvície e que não vai ter no futuro, que é a região occipital ou nuca. Separação dos cabelos, ou melhor, dos folículos pilosos ou conjunto deles, da forma mais delicada possível. Transplante dos
folículos pilosos separados um a um ou em conjunto na área que não tem cabelo. O transplante de cabelos somente repõe o cabelo perdido, porém, não impede que a alopecia androgenética progrida.
Da onde são retirados os cabelos que irão ser transplantados? Tem pontos? Fica cicatriz na área doadora?
Com o paciente de bruços, somente a área doadora a ser retirada tem o cabelo cortado. Esta área doadora é na região occipital do couro cabeludo (figura 1), na nuca do paciente, geralmente deve ter em média 21 por 1,7 cm. A tira de couro cabeludo é marcada com caneta. A região é anestesiada e retirada, logo após a região e fechada com pontos que serão retirados em média de 10 dias. Por ser fina e comprida propicia um bom número de folículos permitindo fechar a área doadora sem tensão, o que melhora o aspecto da cicatriz. Outro cuidado que pode ser tomado é a retirada de uma pequena parte da pele de uma das bordas da cicatriz, o que sepulta alguns folículos, que irão nascer no meio da cicatriz melhorando o aspecto desta, isto é chamado método tricofítico. Novos transplantes serão realizados neste mesmo local. Quanto maior número de sessões, maior será a chance de a cicatriz ficar mais visível. A cicatriz sempre fica, quando os cabelos crescerem, irão cobrir esta cicatriz. Porém, se o paciente raspar o cabelo, ela aparecerá.
Aonde será transplantado? Quantas sessões vou precisar? Quantas sessões podem ser realizadas?
Durante a consulta deve ser discutida e programada a linha pilosa frontal e onde serão transplantados os cabelos, devendo haver um consenso em relação ao desejo do paciente e o limite técnico da cirurgia de transplante de cabelos. Deve ficar claro que, quanto maior a área a ser transplantada, área calva, menor será a densidade de cabelo obtida e também maior o número de procedimentos necessários. O paciente também deve discutir com o médico a região que quer transplantar em cada sessão necessária, na coroa, na região frontal ou em ambas. Deve ficar claro que o microtransplante de cabelos é a retirada de cabelos da área doadora e a distribuição destes cabelos em uma área receptora, geralmente maior, que a doadora. Portanto é obvio que o volume e densidade de cabelo obtido será menor que o da área doadora. Este volume é diretamente proporcional à área que queremos cobrir, ou seja, pequenas calvícies tendem a ter um volume melhor com 1 procedimento do que grandes
calvícies, que geralmente necessitam de mais de 1 procedimento. Assim, quanto mais sessões realizar maior será a densidade de cabelo obtida. Podem ser realizadas novas sessões desde que haja área doadora suficiente. Porém, deve-se respeitar o tempo entre as sessões de 8 meses a 1 ano pelo menos.
Como será o desenho da linha pilosa frontal?
Cada diferente tipo de rosto tem um desenho de linha pilosa frontal diferente (figura 2). A cirurgia de transplante de cabelos deve imitar a natureza, portanto a linha pilosa frontal deve:
- Ser levemente assimétrica, nenhum ser humano tem o rosto totalmente simétrico.
- Em linha quebrada, levemente sinuosa, desenhos de linha pilosa frontal reta levam a aspectos artificiais.
- Respeitar as características sexuais da linha pilosa, que são diferentes no sexo masculino e no feminino. É prudente não cobrir totalmente as entradas em homens e lembrar que conforme o indivíduo envelhece esta entrada aumenta. Na mulher estas características não são tão importantes.
- Respeitar o ângulo dos cabelos que já existem no couro cabeludo, transplantando os novos cabelos no mesmo ângulo.
- Em caso de reconstrução de alopecias traumáticas o desenho de sobrancelhas, bigode e costeletas devem ser bem planejados.
Como são separados os folículos pilosos? Quantos fios têm cada enxerto? Quantos enxertos são transplantados em cada sessão?
Depois de retirada, a área doadora é entregue às auxiliares, que separam as unidades foliculo-pilosas, utilizando estereoscópica óptica e transiluminação. A equipe que realiza este procedimento deve ser numerosa, pois diminui o tempo da cirurgia, o enxerto não pode ficar mais de 4 horas fora do corpo humano, senão morre. A separação dos enxertos deve ser realizada com estereoscópica óptica, microscópio que permite visualizar estruturas tridimensionalmente, e transiluminação, pequenas estruturas dos enxertos ficam evidenciadas com este tipo de iluminação permitindo uma separação mais precisa dos folículos. Os folículos são separados respeitando a anatomia das unidades folículo-pilosas, separando as unidades com 1, 2 , 3 e 4 fios, como a natureza já as criou (olhe no seu braço: há pelos únicos, mas há também conjunto de 2 a 4 fios), se os separarmos, iremos danificá-los. Estes enxertos são armazenados sob refrigeração numa solução de soro fisiológico e plasma do próprio paciente. Há uma grande variação de quantos enxertos são produzidos com uma área de 21 por 1,7 cm. Em média 1500 enxertos e de 3.500 a 7.000 fios de cabelos estimadamente. Estes valores podem variar em decorrência das características do couro cabeludo e cabelo de cada paciente.

Meus folículos podem ser rejeitados pelo meu corpo? Posso receber folículos de um doador? O que é cabelo sintético? Todos os enxertos “pegam”?
Não, por ser do seu próprio organismo não há rejeição. Já folículos de doadores infelizmente não podem ser utilizados, pois causarão rejeição e cairão.
Implante de cabelos são fios sintéticos que são implantados no couro cabeludo, com o tempo caem e causa processos inflamatórios no couro cabeludo, hoje não são mais utilizados. São grandes as possibilidades de pega dos enxertos depois do transplantes se feitas por equipes treinadas e com equipamentos adequados.
Como são transplantados os folículos? Como são distribuídos na área doadora? Os enxertos irão machucar os cabelos que já existem?
Os enxertos ou folículos são transplantados com lâminas oftalmológicas, extremamente delicadas e material microcirúrgico. O médico e seu auxiliar iniciam a colocação dos folículos, um a um, na linha pilosa frontal com folículos de 1 fio de cabelo, que propicia naturalidade muito próxima do normal, seguidas de 2, 3 e finalizando com 4 fios aonde desejamos mais volume. A distância que separa os folículos atualmente com a microlâmina oftalmológica é em torno de 1mm (muito próxima da que existe em couros cabeludos normais). A inclinação da colocação dos fios deve ser a mesma dos cabelos restantes ou como o paciente comumente penteia o cabelo. Os cabelos que já existem na área receptora são respeitados. Os folículos são colocados na sua vizinhança paralelamente a eles, por isso o paciente não deve cortar os cabelos antes da cirurgia. Pode sim ocorrer um fenômeno que se chama eflúveo telógeno, pela agressão do couro cabeludo, causando a uma queda temporária dos cabelos que lá já existiam, mas que voltarão com o tempo
O laser pode ser utilizado em transplante de cabelos?
Onde é referido “A utilização de laser no transplante de cabelos” é para realizar o orifício para transplantar o cabelo. Tratando-se de uma fonte de luz (energia condensada) dissipa calor para as laterais do furo e se houverem folículos lateralmente eles serão danificados e às vezes mortos. Este equipamento só se presta às calvícies sem nenhum cabelo e, mesmo nestes casos, onera grandemente os custos não trazendo benefícios.
Quanto demora a cirurgia? Quando irei para casa? E o curativo? Algum medicamento é receitado?
A cirurgia demora, geralmente, em torno de 5 a 6 horas, com equipes grandes. Mas, em decorrência do preparo, monitorização, curativo e liberação da recuperação anestésica, o paciente se mantém no centro cirúrgico, geralmente, por 7 horas. Estando o paciente totalmente consciente e tendo se alimentado, ele poder receber a alta hospitalar geralmente no mesmo dia que operou, no final do dia. O curativo é imprescindível para o sucesso da cirurgia, pois ele mantém estáveis os folículos em seus leitos proporcionando segurança e conforto ao paciente, e não deve ser retirado em hipótese alguma sem ordem médica. O curativo será retirado no dia seguinte pela equipe médica. São receitados dois medicamentos, um antibiótico, para prevenir infecções na
cirurgia capilar e um analgésico, para tratar a dor, caso ocorra. Em casa, o paciente deve permanecer em repouso com alimentação mais leve, e não deve realizar nenhum exercício físico.
Quando retiro o curativo? Quando posso trabalhar? E realizar esportes e tomar sol? Qual é o aspecto inicial? Posso lavar os cabelos?
No dia da cirurgia o paciente deve permanecer em repouso. No outro dia o paciente retorna ao consultório, onde terá o curativo retirado e o cabelo lavado pela enfermeira. O Paciente deve ser orientado sobre os cuidados que devem ser tomados com os novos cabelos, principalmente em relação à sua limpeza, que deve ser cuidadosa nos primeiros dias. O couro cabeludo deve ser lavado sem utilização de água muito quente ou sob pressão, banho normal depois da primeira semana. Durante os primeiros dias aparecerão crostas no couro cabeludo, que irão se soltando espontâneamente até o final da segunda semana. Alguns shampoos diminuem este tempo e devem ser receitados pelo seu médico. A utilização de um boné ou lenço também é indicada para a proteção do local inclusive logo após a retirada do curativo. Em média de até 1 semana após a cirurgia o paciente pode apresentar um grau variável de inchaço na testa que progressivamente vai para os olhos e raiz do nariz até desaparecer progressivamente. Podem ocorrer também manchas roxas por causa da cirurgia que perdura em média 1 semana. No primeiro mês é normal a região transplantada ficar avermelhada. O paciente pode retornar à atividade profissional desde que se sinta bem, sem inchaço ou dor (geralmente de 2 a 5 dias após a cirurgia, em média). Atividades físicas leves após 4 a 5 dias e pesadas após a retirada dos pontos (de 7 a 10 dias). Exposição ao sol só é permitida 1 mês após a cirurgia, em média.
O que vai acontecer com os cabelos transplantados? Eles vão cair? Quando irão crescer? Devo tomar algum cuidado?
A grande maioria dos cabelos transplantados começarão a crescer nos primeiros dias depois da cirurgia. Porém, cairão após algumas semanas, pois os folículos interpretam a cirurgia como uma agressão, induzindo os folículos à fase telogênica ou de queda, voltando a crescer em torno de 3 a 6 meses). Alguns cabelos encravados podem aparecer durante os 6 meses de crescimento e devem ser exteriorizados pela equipe médica. Algumas foliculites (pequenos pontos de pus no couro cabeludo, parecidos com uma “espinha na pele”) podem ocorrer, é normal. Caso ocorra em grau acentuado, o médico deve ser informado para entrar com medicação antibiótica. Alguns cabelos, no início do crescimento, podem crescer com um aspecto um pouco diferente do normal, isso é transitório. A integração completa dos enxertos pode ser evidenciada em torno de 7 meses, em média, quando os cabelos já nasceram e cresceram o suficiente para a avaliação. Em caso de uma segunda sessão, o início do crescimento pode demorar um pouco mais (de 4 a 7 meses, em média).
Os cabelos transplantados nunca mais caem? E os meus? Posso fazer um tratamento para a alopecia androgenética depois da cirurgia?
Outro fato importante a salientar é que os cabelos transplantados nunca mais caem, desde que forem retirados de área doadora que nao acometida pela calvície adrogenética. Mas o cabelo que já se encontrava na região transplantada e em suas proximidades, se estiverem na região acometida pela calvície androgenética podem cair um dia, pois a calvície androgenética é evolutiva, levando à necessidade de um novo procedimento. Compete ao profissional realizar um transplante que fique esteticamente favorável, mesmo com a perda destes cabelos com o tempo, se não for vontade do paciente realizar um novo procedimento. O tratamento da calvície androgenética pode ser realizado após o transplante de cabelos para retardar sua evolução. As medicações hoje utilizadas são o Minoxidil tópico de 2 a 5% e a Finasterida utilizada por via oral na dosagem de 1 mg diariamente. Porém, o paciente deve ser avaliado clínica e laboratorialmente, informado dos efeitos colaterais das medicações e manter-se assistido pelo seu médico. O laser de baixa freqüência também tem mostrado bons resultados no tratamento da alopecia androgenética e também pode ser utilizado sob orientação médica.
O transplante de cabelos é seguro, tem complicações, há como prevení-las?
Sim. O Dr. Sandro estudou estas complicações em sua tese de mestrado em medicina pela Santa Casa de São Paulo. Descrevemos sumariamente as complicações e como prevení-las.
- Antes de tudo, deve-se diferenciar as complicações estéticas das médicas. As complicações estéticas são aquelas decorrentes da utilização de técnicas não usuais ou desatualizadas, tais como enxertos grosseiros, que resultam no aspecto de cabelos de boneca e/ou retiradas de área doadora que levem a cicatrizes muito evidentes e alopecias cicatriciais em área doadora.
- As complicações médicas são inerentes ao procedimento cirúrgico, ou seja, podem ocorrer em qualquer indivíduo. Existem predisposições raciais para certas complicações. A seguir descreveremos as possíveis complicações, sua prevenção e tratamentos.
- Alargamento de cicatriz de área doadora. Na grande maioria de pacientes a área doadora é quase imperceptível. Alguns pacientes que realizam várias sessões podem apresentar um grau maior de alargamento desta cicatriz. Retiradas de área doadora mais curta e larga, também levam a maior grau de alargamento. A forma de prevenir esta complicação é a retirada de área doadora fina e comprida que permita fechar a área sem tensão. O tratamento para esse alargamento de cicatriz é a retirada da área alargada e fechar novamente o local.
- Foliculite. Em alguns pacientes uma pequena porcentagem dos cabelos transplantados quando estão saindo formam pequenas foliculites (pequenos processos inflamatórios que devem ser rompidos). Numa pequena taxa de pacientes este processo é mais intenso. O tratamento e a prevenção desta foliculite é a utilização de antibioticoterapia, logo ao observarmos o fenômeno, durante todo o crescimento do cabelo. Se não tratado pode levar a perdas dos cabelos transplantados.
- Logo após o transplante de cabelos, a área receptora fica transitoriamente sem sensibilidade. Se o paciente não tomar cuidado, atividades rotineiras como sair do carro ou passar de baixo de uma porta mais baixa pode causar ferimentos na área receptora que levarão à necrose (morte da pele) da área receptora. Quando a necrose é pequena, a cicatrização ocorre e não há perdas de cabelos. Em necroses maiores, pode ocorrer perda dos cabelos transplantados. Mesmo assim, após da cicatrização do local necrosado, o cabelo pode ser transplantado novamente. O paciente deve tomar cuidado logo após a cirurgia, prevenindo esta complicação.
- Sangramento. Apesar de rara, pode ocorrer nos primeiros dias após a cirurgia. A compressão local por 10 minutos pelo próprio paciente é suficiente para corrigí-la.
- Soluços. É uma complicação rara em transplante de cabelos que ocorre logo após a cirurgia, mantendo-se por horas, e soluciona-se espontâneamente.
- Quelóide. É uma cicatriz de má qualidade em couro cabeludo. Extremamente rara, ocorre em pacientes negros. A prevenção é feita no exame clínico, no qual pergunta-se ao paciente se este tem problemas com sua cicatrização. O tratamento é feito com medicações, betaterapia, retirada desta cicatriz de má qualidade e nova sutura local.
- Há outras complicações descritas em literatura. Se quiser mais informações entre em contato conosco. Alguns cuidados devem ser tomados para diminuir as complicações em transplante de cabelos, como colocaremos a seguir:
- Um bom relacionamento médico-paciente. O paciente deve informar ao médico o que espera da cirurgia. O médico deve explicar detalhadamente todo o tratamento e os limites da cirurgia ao paciente. Isto é importante para não criar falsas expectativas no paciente que não possam ser alcançadas pela cirurgia. A consulta médica é imperiosa antes da cirurgia.
- Avaliação clínica e laboratorial para avaliação da saúde do paciente. Se for encontrada alguma alteração dos exames, deve ser corrigido, para a cirurgia ser realizada com segurança. Todos os cuidados antes e depois da cirurgia devem ser expostos ao paciente, como a não utilização de medicações que possam alterar a coagulação sanguínea (aumentar sangramento durante a cirurgia).
- A técnica cirúrgica a ser empregada pelo cirurgião deve ser atual e usual por seus pares, e ser atualizada constantemente.
- Equipe numerosa e treinada devidamente, equipamentos específicos para a separação dos folículos e colocação destes na área receptora são imprescindíveis para o sucesso da cirurgia e diminuição do tempo cirúrgico.
- Realização do procedimento em ambiente hospitalar. A realização deste procedimento em consultório não é segura e não deve ser realizada.
- Avaliação pós-operatória rigorosa. O paciente deve retornar ao consultório e, se não for possível, entrar em contato relatando sua evolução e tirando suas dúvidas. O paciente deve seguir todas as orientações de cuidados e medicações dadas pelo médico.
Quais são as outras cirurgias para o tratamento da alopecia androgenética e cicatricial.
- As informações abaixo referidas foram obtidas de literatura específica atualizada e de conhecimento próprio adquirido com o tempo, em decorrência do questionamento dos pacientes antes e depois da cirurgia. A procura da solução definitiva para a calvície sempre deslumbrou os cirurgiões plásticos. Muitos tipos de cirurgias foram propostas. Infelizmente, muitas com resultado limitado. Entretanto, não há como negar que foram importantes para a evolução da especialidade e melhor compreensão da calvície. O texto abaixo não tem o intuito de julgar ou criticar nenhum tipo de cirurgia da calvície.
- Descolamento do couro cabeludo cirurgicamente e a recolocação deste novamente no crânio, não é mais realizado.
- Prematache, grampos colocados cirurgicamente no couro cabeludo para a fixação de próteses de cabelo, não é mais utilizado.
- Ressecção da área calva e a rotação de um retalho, de uma tira de couro cabeludo com cabelo preso no couro cabeludo, que é rodado e fixado na região antes calva.
- Expansão do couro cabeludo, expandido com bolas de silicone que vão recebendo soro fisiológico semanalmente aumentando seu volume como a barriga de uma grávida. Estes procedimentos se prestam às áreas calvas médias e grandes de couro cabeludo.
- Punchs de cabelo de 4 mm, retirados da área doadora e transplante destes na área calva, com o intuito de, em algumas cirurgias, cobrir-se a calvície. O grande problema era que estes punchs levavam a um resultado ruim na área doadora, que ficavam sem cabelo e um estigma na área receptora: os temidos cabelos de boneca. Não são mais utilizados.
- Implante de cabelos, fios sintéticos colocados no couro cabeludo. Proibidos pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e FDA americano.
- Com o passar do tempo, foi-se observando que estes punchs podiam ser subdivididos. A área doadora começou a ser retirada como em tira e fechada com pontos, restando uma cicatriz linear. E os pedaços de couro cabeludo cada vez mais foram subdivididos melhorando os resultados. Foram descritos em: single-hair ou 1 fio de cabelo; micro-hair de 2 a 3 fios de cabelos; e mini-hair de 4 a 5 fios de cabelos. Iniciou-se, então, a separação dos fios com lupas e depois com os microscópios (pôde-se separar fio a fio). Porém, descobriu-se que havia perda dos enxertos se separassem as famílias foliculares.